Por que o spread bancário é tão alto no Brasil?

No Brasil pagamos as mais elevadas taxas bancárias do mundo. Por que isso acontece? Por que temos o segundo maior spread bancário do planeta, resultado de diversos fatores. Saiba mais!

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Spread bancário

spread bancário

Talvez você já tenha ouvido falar em spread bancário, talvez não. Apesar do nome assustar, não tem nada de difícil nesse conceito. Ele é a diferença entre os juros que o banco paga ao investidor e os juros que são cobrados ao tomador de empréstimo.

Por aí você já deve imaginar o tamanho do spread bancário no Brasil. Afinal, quando você faz um investimento em CDB recebe hoje algo próximo de 2,75% ao ano de rentabilidade. Já quando faz um empréstimo pessoal, paga mais que esse valor por mês.

Mas, por que o spread bancário é tão alto no Brasil? Vários podem ser os problemas, principalmente estruturais, mas talvez exista um relacionado a educação financeira: a alta inadimplência no país. Quer saber mais? Vem com a gente.

Por que o spread bancário é tão alto?

No momento que o banco calcula o spread bancário, vários fatores são levados em consideração como custo administrativo, compulsório e encargos, impostos diretos, lucros, e o mais importante: a inadimplência.

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Portanto, na hora de fazer o cálculo do spread todos esses fatores são quantificados para se chegar no valor. O Brasil é o segundo país do mundo com maior spread bancário. Só perdemos para uma pequena ilha no sudoeste da África, chamada Madagascar.

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Mas por que isso acontece? O principal motivo está relacionado ao risco. No Brasil existe uma alta taxa de inadimplência que eleva o spread bancário. Além disso, há um outro ponto importante: a concentração do mercado financeiro.

Países mais desenvolvidos possuem um número maior de instituições financeiras, ao passo que o Brasil tem algumas poucas. Aí entra a questão da oferta e procura. Se a procura é maior que a oferta, o banco aumenta o lucro.


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Como solucionar esse problema no Brasil?

O aumento no número de instituições financeiras colabora para diminuir o spread bancário. Afinal ela ataca diretamente a lei da oferta e procura. Ou seja, quanto mais instituições ofertando produtos financeiros, menor será o lucro.

No entanto, como falei, há o problema relacionado ao risco. Dessa forma, enquanto a educação financeira não for amplamente difundida no país, a inadimplência continuará alta, impactando diretamente o spread bancário.

Até porque a inadimplência é uma das variáveis que mais eleva o spread bancário. Só para ter uma ideia, na divisão de recursos que formam o spread, ela chega em alguns anos a bater 40%. Bastante elevado.

Ou seja, quando alguém deixa de pagar um empréstimo no banco, quem sai perdendo é toda a população, pois o banco repassa a taxa de inadimplência para o spread bancário, elevando a taxa de juros.

A educação financeira é o melhor caminho

Outros pontos como juros e inflação, carga tributária e concentração bancária também colaboram para o elevado spread bancário no país. No entanto, o percentual que ocupam no cálculo é menor. Ou seja, o maior problema é a inadimplência.

Se todos os brasileiros aprenderem a lidar com as finanças, controlar o orçamento, fazer reserva de emergência, a procura por empréstimos certamente vai cair. Além disso, quem tomar um empréstimo estará mais preparado para pagá-lo.

Se a inadimplência cair pela metade, já teremos uma diminuição de 20% do spread bancário. Bem considerável. Isso, aliado ao aumento de fintechs no mercado, ajuda a diminuir o valor do spread ainda mais, colocando o Brasil em outro patamar.

Por isso, o governo, as instituições financeiras, as escolas e todos os órgãos envolvidos com finanças e educação possuem um grande desafio pela frente: aumentar a educação financeira no país para diminuir o spread bancário.

Deu para entender por que o spread bancário é tão alto no Brasil? Então não deixe de compartilhar esta matéria com todos os seus amigos e parentes nas redes sociais.