Economia: como ficam os restaurantes com a alta no preço dos alimentos?

A pandemia deixou a realidade desafiadora de donos de bares e restaurantes no ano de 2020. E agora eles têm um novo desafio: a inflação. Saiba mais a seguir.

Economia na pandemia

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Durante o ano de 2020 a pandemia de Covid-19 impactou a economia mundial. Setores como bares e restaurantes foram duramente atingidos.

O Restaurante da Valeria estava prosperando. Ela havia tomado um pequeno empréstimo para expandir os seus negócios.

A obra de expansão estava chegando ao fim. Valéria estava empolgada com o empreendimento.

Agora teria mais opções no cardápio e poderia também atender mais clientes. Valeria já havia passado muita dificuldade.

Não foi fácil chegar aonde chegou. Lutou contra os obstáculos e, finalmente, o sucesso estava prestes a bater em sua porta.

No entanto, uma pandemia começou. Ela foi então informada sobre o isolamento social. Seu restaurante foi, dessa forma, obrigado a fechar as portas.

O que fazer agora? Estava terminando a expansão. E o parcelamento do empréstimo estava apenas começando.

As contas se avolumaram e o mundo de Valéria, de repente, desabou.

Essa triste realidade está presente na vida de todos os donos de bares e restaurantes no ano de 2020. E agora eles têm um novo desafio: a inflação.

Como está a inflação na economia brasileira?

O Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 2,44% em 12 meses. A inflação dos alimentos no mesmo período foi de 8,83%.

Bares e restaurantes tiveram, portanto, esse impacto no custo da mercadoria vendida. Mas, como repassar esse preço com a demanda lá embaixo?

Leonardo Almeida, economista e CEO da Menu (aplicativo que atende bares e restaurantes), esclarece que o comerciante terá dificuldade de repassar o preço.

Inclusive, ele aponta que houve deflação na alimentação fora de domicílio. Ou seja, apesar da alta dos alimentos, os restaurantes baixaram os preços.

Mas por que o preço dos alimentos está tão caro?

Leonardo Almeida destaca que a desvalorização do dólar tem um impacto direto. Primeiro porque o produtor prefere exportar com o câmbio favorável.

Segundo porque os insumos por ele usados são geralmente importados. E isso representa uma alta inclusive no custo de produção.

Além disso, Leonardo Almeida ainda esclareceu que o isolamento social e o auxílio emergencial fizeram aumentar a demanda por alimentos dentro dos domicílios.

Portanto, há um conjunto de fatores pressionando a inflação. E isso agrava ainda mais a situação dos bares e restaurantes.


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Como fica a situação dos bares e restaurantes na economia?

Leonardo Almeida destaca que os bares e restaurantes terão obviamente um aumento de custo. Será difícil driblar isso.

Para ele os donos de restaurantes precisarão, desse modo, ficar atentos. Pois com o aumento do custo da mercadoria vendida haverá uma redução da margem de contribuição.

Uma das alternativas é, portanto, repassar o preço para o consumidor final. Isso deixa inclusive os próprios funcionários dos estabelecimentos desconfortáveis.

Pois, diante de um cenário econômico instável, o repasse de preços acaba gerando uma queda na demanda.

Os restaurantes com maior margem deverão segurar os preços.

Para Leonardo Almeida, a situação dos bares e restaurantes está desconfortável. Portanto, o uso da criatividade é um fator chave.

Há perspectiva de retomada econômica?

O cenário futuro ainda é bastante incerto. A Europa, por exemplo, está com alguns países entrando novamente em lockdown.

Portanto, não se sabe bem quando a normalidade vai voltar. Tudo dependerá do avanço da pandemia.

E também de como ela vai se comportar quando as pessoas realmente saírem de casa.

Estamos diante de um novo normal. No entanto, os restaurantes têm a opção de intensificar a sua presença no mundo online.

Criar aplicativos e pensar em opções delivery pode ser, portanto, um caminho para driblar esse momento. 

É preciso, contudo, ajustar os custos para essa nova realidade. E, talvez, pensar em cardápios alternativos evitando os alimentos com maior alta nos preços.

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