Renda dos trabalhadores caiu 25% na pandemia. Entenda!

A crise financeira agravada pela pandemia afetou o orçamento doméstico brasileiro. Segundo dados do IBGE, a renda dos trabalhadores chegou a recuar até 25%.

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Renda dos trabalhadores caiu 25%

renda dos trabalhadores

Definitivamente o brasileiro está mais pobre em 2020. Segundo dados do IBGE (Instituto brasileiro de Geografia e Estatística), a renda dos trabalhadores chegou a recuar até 25% na pandemia.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domícilios (Pnad-Covid) do IBGE mostra que a perda foi mais sentida pelos trabalhadores que possuem menor escolaridade.

No primeiro semestre deste ano, os trabalhadores que não chegaram a completar o ensino médio, tiveram queda de até 1/4 da renda.

Para fazer o cálculo, o IBGE questionou quanto o trabalhador recebia habitualmente, e quanto entrou realmente no bolso dele neste período de crise.

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Matheus Souza, pesquisador da IDados, consultoria responsável pela organização dos dados da pesquisa, diz que esse é o lado sombrio de toda crise.

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Normalmente, quem estudou menos é mais vulnerável no mercado de trabalho.

São geralmente esses trabalhadores os primeiros a terem o contrato suspenso e redução da jornada de trabalho.

Na visão do pesquisador, a situação é ainda mais grave, visto que essas pessoas são as que mais dependem do trabalho para sobreviver.

E a renda dos trabalhadores voltará a subir?

A última pesquisa do Pnad Contínua trouxe dados realmente nada animadores, embora tenha mostrado que houve uma melhora em relação ao início da pandemia.

Em maio, a perda de renda obtida pelo trabalhador foi de 18% na média de todas as escolaridades.

Em junho esse percentual caiu para 17% e em julho ele foi de apenas 13%, o que trouxe algum alívio.

Contudo, apesar de ter melhorado, a diferença da perda de remuneração dos menos escolarizados em comparação com quem fez faculdade ainda é alta.

Lembrando que a perda do rendimento considera tanto os trabalhadores formais quanto os informais.

O auxílio emergencial teve um importante papel para os trabalhadores informais. No entanto, a lembrança que os brasileiros terão da pandemia é de perda de renda.


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E de quanto foi essa perda da renda?

Entre os meses de maio e julho, os trabalhadores sem nenhuma instrução ou com ensino fundamental incompleto chegaram a perder R$ 431 por mês. Isso representa 40% do salário mínimo.

Muitas pessoas de baixa renda precisaram, desse modo, enxugar ainda mais o orçamento que já era apertado.

E para piorar ainda mais a situação, a inflação dos alimentos básicos foi bastante alta nos últimos meses. Com destaque para o arroz e o óleo de soja.

Essa alta no preço da comida prejudica ainda mais a situação das famílias carentes. Até porque elas estão completamente vulneráveis durante a crise.

E o que esperar para o futuro?

A expectativa é que no longo prazo os trabalhadores recuperem a perda da renda. Entretanto, isso será mais demorado do que o normal.

Para Pedro Fernando Nery, consultor legislativo, a recuperação da renda acaba vindo depois da recuperação do emprego. Isso foi inclusive visto na crise de 2015.

Desse modo, o governo vai precisar ter um olhar sobre o futuro. Será preciso, dessa forma, criar mecanismos para os mais frágeis.

O acesso a carteira assinada ainda está um pouco distante dos trabalhadores mais vulneráveis. Possivelmente, eles vão precisar de um auxílio por mais tempo.

E como a economia deverá se comportar?

A economia brasileira deverá apresentar alguma melhora nos próximos meses. Mas é preciso estar atento.

Pois, melhorar a economia não significa melhorar a vida das pessoas. Até porque a renda está mais concentrada.

Isso quer dizer que o governo vai precisar pensar além do PIB. É preciso criar, portanto, mecanismos que ajudem a distribuir a renda de forma mais igual.

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